Classificando Teologias

– ontologia, metáfora e fenomenologia

Osvaldo Luiz Ribeiro

03/06/2007

 

Podem-se classificar as Teologias, todas, sob o critério de sua autocompreensão metodológico-estatutária, em três modelos: teologia como ontologia, teologia como metáfora e teologia como fenomenologia.

 

A mais velha de todas é a primeira – teologia como ontologia. Desde sempre, e ainda hoje, pretendia-se porta-voz da verdade metafísica. Pode-se acentuar qualquer das palavras. Porta-voz da verdade metafísica, no sentido de que se colocava, e coloca, ainda, como expressão única e válida. Porta-voz da verdade metafísica, no sentido de que, fora de sua boca, ouvem-se apenas falseamentos. Porta-voz da verdade metafísica, no sentido de que a verdade, “ideológica”, está lá fora, não apenas num idealismo imaterial, mas no mundo sobrenatural do sagrado. Porta-voz da verdade metafísica, no sentido de que a verdade metafísica fala tão somente por meio dela.

 

A teologia como ontologia não foi uma verdade cristã, ainda que o Cristianismo a tenha adotado como plataforma operacional epistemológica. Caiu-lhe mesmo como uma luva. Mas nasceu, se não antes, pelo menos em Platão e sua teologia-filosofia, encarnando-se como projeto político em A República (faz bem ler, nesse sentido, A Invenção da Mitologia, de Marcel Detienne). De Platão, passa-se, vôo rasante, pela “judéia” alexandrina, e, daí, para Paulo, para Justino e Ireneu e Tertuliano, para Orígenes, para Agostinho e sua Cidade de Deus, espelho, em tudo, de A República, chega-se a Lutero e Calvino, a Barth, e está-se em casa, dois mil e quinhentos anos de longa e eficiente viagem.

 

Esse modelo de Teologia é resistente, e mantém-se mesmo nas Universidades, por razões inconfessáveis. A rigor, a Universidade não poderia acomodar esse tipo de Teologia. Mas como são os Teólogos a ditarem as regras de seus feudos locais, ela permanece, ainda que disfarçada de modernidade. Mas não é moderna. É antiga. Quem ouve o que essa Teologia diz, ouve como que o(s) próprio(s) Deus(es) falando.

 

A modernidade, contudo, até chega a tocar as carnes da Teologia. Daí, ou ela reage, entrincheirando-se, ou reage, cooptando o discurso moderno. Quando a Teologia como ontologia se deixa incomodar, desde dentro – ai, ai – pelo discurso dos séculos iconoclastas, os XVII, XVIII e XIX, mas não a ponto de pôr nas águas do rio o cesto de vime, então a Teologia, até aí ontológica, transforma-se em metáfora. A Teologia ontológica mune-se de uma espátula, e, raspando a superfície retórica do seu próprio discurso, separando-a do próprio fundamento retórico, mantém a espuma, e despede-se da base. A base é até denunciada como metafísica, e faz-se, eventualmente, até chacota dela. A espuma, contudo, o conjunto das palavras antigas, dos termos místicos, dos conceitos mágicos, o glacê branco, coberto de cerejas, esses são mantidos, e apresentados, retumbantemente, como “metáfora”.

 

Vai-se tornando relativamente comum essa opção pela Teologia como metáfora. Gianni Vattimo é um campeão, mas há outros, inclusive no mercado nacional. No fundo, é possível ouvir ecos de Verdade e Método em todo esse esforço metaforicizante da Teologia: Tradição. Parece um dar de ombros, para dizer pouco, mas suspeito de atitude política. De que outro modo poderia olhar para o esforço metaforicizante, quando o que pretende lograr é, ao mesmo tempo, a “libertação” do controle central da Teologia e a manutenção do discurso tradicional?

 

Fala-se, aqui e ali, inclusive, de verdades locais, e apela-se para a antropologia contemporânea para justificar a retórica de saberes locais, mas, contraditoriamente, ainda se declara o núcleo pascal de uma suposta Teologia local. Mas como? Uma cruz em cada bairro? Ou, no fundo, a manutenção de uma verdade universal, disfarçada de saber local – ou seja, retórica, nada mais que retórica?

 

A Teologia como metáfora até se entende como autorizada a denunciar o anacronismo da metafísica, e denunciar a politização dela – e cai no mesmo erro que pretende denunciar. Porque ela é igualmente política, e apenas não abandona os termos da Teologia “clássica”, porque emerge dela, e pretende suceder-lhe. É continuísmo disfarçado em superação epistemológica. Mas, a meu ver, não a supera epistemologicamente, porque apenas coopta elementos esparsos da epistemologia romântica, mas até onde quer e lhe interessa.

 

Corro o risco de queimar a língua, na pressa de o dizer, como quem toma café quente às portas da última chamada. Mas me parece, olhando daqui, que a teologia como metáfora se comporta como a filosofia (da época de Sócrates, Platão e Aristóteles) diante das mitologias ancestrais. Sócrates chegou a ser condenado à morte, e de fato, diz-se, sofre a pena de morte, acusado de ensinar o ateísmo aos jovens. Os demais filósofos, parece, puseram as barbas de molho. Mas tinham um projeto político-cultural, do qual não pretendiam abrir mão. A solução, de larga repercussão na História, foi o emprego da alegoria - fazer o velho dizer o novo. Manter-se a cesta velha, mas tirar dela novas guloseimas. Manter os velhos textos, mas lê-los com novidade filosófica. Agrada-se assim o bom tom dos mais velhos. Legitima-se, assim, piamente, o próprio discurso, que nada tem a ver com o velho.

 

Ora, a teologia como metáfora acaba tornando-se uma alegoria da alegoria, já que toda a Teologia cristã não passa de uma grande mistura sistematizada de alegorias de velhos textos sagrados. A mão alegórica mete sempre a mão no saco, mas tira dele somente as pedras que constam de sua própria cartela. É por isso que, a meu ver, trata-se de política. Como, em última análise, a Teologia da Libertação, que, em muitos casos, é alegórica, em sua aproximação bíblico-exegética, com exceções louváveis, e assim o faz porque ela se entende como, primeiro, projeto político-social de libertação, e, somente depois, movimento exegético. Da mesma forma, a saída metafórica da Teologia não é saída - mas instrumentalização do velho, em função de outra coisa.

 

Finalmente, a Teologia como fenomenologia, bastante rara, corre o risco de perder o direito de chamar-se a si mesma de Teologia. Ocorre que seu fundamento epistemológico pretende ser coerente com os desdobramentos filosófico-culturais do pós-kantismo, naquele trilho que se pode traçar desde o primeiro Kant, o da Crítica da Razão Pura, sem o contágio do segundo Kant, o da Prática, mas passando pelo Romantismo alemão, por Schopenhauer, por Feuerbach, por Nietzsche, por Heidegger, por Freud, e, mais recente, pelos desdobramentos próprios das Ciências Humanas, do século XX. Convertida, sinceramente, a tais valores epistemológicos, próprios da filosofia daqueles senhores todos, a Teologia como fenomenologia encarna radicalmente. Abandona, honestamente, seu desejo metafísico, seus arroubos ontológicos, e transforma-se em discurso reconhecidamente (apenas) humano.

 

Muito apressadamente, eu diria, tornou-se Ciência(s) da Religião. Talvez por uma questão prática, mudou-se para uma sala nova, trocou a tabuleta da porta, onde se lia Teologia, e, agora, lê-se Ciência(s) da Religião, e deixou a antiga sala de mogno para a Teologia. Assim, evitaria disputas em torno da divisão das verbas, e, em todo caso, uma atitude aparentemente bastante republicana, essa, a de dizer e deixar dizer. Mas não sei se é epistemologicamente profunda, porque, desde já, concede que Teologia seja uma espécie inexorável de “ciência da fé”, exigindo o sacrifício do fiel no altar do dogma, ontologizado ou metaforicizado. Rápido demais cedeu-se.

 

Hans Küng pareceu ter resistido, quando escrevia Teologia a Caminho. Escrevi “um livro apaixonante”, quando o li. Hans Küng não tem a intenção de fazer da Teologia Ciência da Religião. Mantém-na Teologia. Mas ao preço de exigir dela um estatuto histórico-crítico – Teologia histórico-crítica, consoante uma exegese histórico-crítica. E desejava ver, na Universidade, apenas ela. Mas, mais recentemente, disse que ainda se mantinha “cristão”, porque, depois de cento e cinqüenta anos de método histórico-crítico, ele podia estar razoavelmente seguro a respeito dos avanços relativos ao conhecimento histórico sobre Jesus. Essa afirmação, devo confessar, deixou-me frustrado, não pelo fato de Hans Küng manter-se cristão, mas porque considerou que o método histórico-crítico pudesse dizer alguma coisa a respeito.

 

Não, não pode. Primeiro, porque é um método romântico, e o céu sobre sua cabeça é de chumbo. O método em si não pode saltar para além das nuvens e “ver”. Logo, não há possibilidade de “fé”, construída por meio dele. Digamos, ainda, contudo, que a alguém lhe satisfaça, apenas, uma aproximação histórica – e crítica. Dá no mesmo, porque a História é plausibilidade, possibilidade. O passado é real e imutável, e foi o que foi, mas a sua reconstrução, desde o presente, futuro dele, é hipotética, e não há garantias, de nenhum tipo, de que se possa apoiar inequivocamente sobre ela. No que diz respeito à História, e, conseqüentemente, ao método histórico-crítico, deve-se avançar com ousadia nas reconstruções metodológicas do passado, mas deve-se, humildemente, reconhecer que são o que são, reconstruções hipotético-plausíveis. Podem estar até certas, mas, como saber, senão no jogo da comunidade de interpretação? E não é que os jogadores sejam inábeis: o caráter da História é que impede a verdade – ao menos “a verdade” do tipo com que a "fé" costuma lidar.

 

Uma Teologia histórico-crítica, de tipo fenomenológico, não pode construir qualquer estrutura material para, por meio dela, ascender às alturas da fé. Nela, o próprio conceito de fé tem de ser revisto.

 

(...)

 

Cabe, ao postulante a teólogo, antes de tudo, escolher, empregando para tanto os critérios que lhe parecerem convenientes, que Teologia é a Teologia que fará. Depois de o fazer, aparecerá, incontinenti, diante dele, uma estrada. Ele deverá caminhar por aí. Sua coerência só poderá ser, objetivamente, verificada aí, na caminhada, e segundo os crítérios dela mesma. Não diria que um Teólogo ontológico esteja errado. Diria que, em termos epistemológicos, sua escolha é anacrônica. É medieval, no que ela tem de mais moderna. É de direito? Sim. Mas a conseqüência é que, sob nenhuma hipótese, para manter-se coerente, poderá “dialogar”. Quando se usa a palavra “diálogo”, ao mesmo tempo em que se opera esse tipo de Teologia, uma incoerência interna se instala. Não há diálogo possível. Pode-se apenas querer ser ouvido, sem o interesse honesto de ouvir. O que é metafísico, logo absoluto, é inegociável. E diálogo é negociação.

 

Já ouvi teólogos dito evangelicais, distinguindo-se retoricamente, assim, de teólogos evangélicos, dirigirem críticas pesadas ao que chama(va)m de “fundamentalistas”. Ora, do ponto de vista epistemológico, há entre eles, teólogos “evangélicos”, “evangelicais” e “fundamentalistas”, apenas diferença de grau. Um Raio X mostraria, perfeitamente, um terceiro olho, mágico, místico, mítico, encarando Deus, por trás dos olhos de cada um deles. É certo que o Estado Democrático de Direito e o espírito filosófico-liberal de tolerância mitigaram a sede de muitos teólogos. Mas, a rigor, trata-se de controle externo. Não pagaria o preço de ver suspenso esse controle. Se me perguntarem, de brincadeira, qual a melhor invenção de Deus, eu, de brincadeira, diria, tratar-se do Estado Democrático de Direito. Sem ele, por exemplo, há pouca diferença entre teólogos e "bárbaros".

 

Igualmente é de direito a defesa de uma Teologia metafórica. O preço é reconhecer o caráter lúdico do resultado. A Teologia torna-se jogo. Claro que tudo é jogo, até a ontologia. Johan Huizinga disse-o muito bem dito, que a cultura funciona como jogo, e tudo quanto se faz, culturalmente, se faz na forma de jogo. Concordo. Mas é igualmente verdade que a dimensão lúdica da cultura, quantas vezes, está mascarada, recalcada, coisa que também Homo Ludens deixou bastante claro. O jogo ontológico, que é jogo, por exemplo, dificilmente reconhece-se como tal. E por isso os críticos são tão perigosos para ele, mais do que os hipócritas. Porque os hipócritas ainda querem jogar, ainda que trapaceiem, mas, ainda que trapaceando, e até por isso, deixam transparecer o valor que o jogo tem, ao passo que o crítico, na qualidade de um desmancha-prazer, como diz Huizinga, simplesmente diz que não quer mais jogar, e que o jogo é chato: "tocamos, e não quiseste dançar".

 

A Teologia como metáfora, contudo, tem de saber-se jogo, porque acaba de dizer que é metáfora. Quer dizer, isso se souber o que está dizendo, quando diz que é ela, a Teologia, é metáfora, e, desconfio, não o sabia, na maioria das vezes. Primeiro, porque metáfora não é inobjetividade retórica. Toda metáfora é discurso unívoco, mas figurado. A metáfora é polissêmica, como tudo o é, se o tudo é linguagem, mas não é, absolutamente, polissemia. Enquanto fala, a metáfora é discurso objetivo, que sabe do que está falando, e o que está falando daquilo sobre o que sabe falar. Logo, uma metáfora para Jesus, por exemplo, ainda é discurso objetivante, e denuncia a manutenção de um núcleo duro, não local, universal, básico, fundamental, em torno do qual os saberes metafóricos locais podem (devem?) se estruturar. A meu ver, entre essa postura retórica, e a anterior, política ambas, há apenas uma diferença de estratégia operacional. Não é preciso mudar absolutamente nada, sequer as instâncias “locais” de poder, porque, no fundo, trata-se de uma operação de descentralização – mas manutenção – do “poder”. Uns vendem jóias, outros jogos, mas sempre há o que vender.

 

Resta à Teologia como fenomenologia o silêncio, se o assunto é “Deus". Não lhe cai bem nem a metafísica-ontologia, nem a metáfora-retórica. Ela perdeu a pulsão de falar do que, sabe, não pode falar. Aqui o problema é profundamente epistemológico. Envolve gigantescas estruturas antropológicas e históricas. Resiste um conflito – e o digo, em mim – entre a consciência romântica da impossibilidade do discurso sobre Deus e a intuição profunda, que Tillich, por exemplo, tenta cooptar em favor de uma ontologia quase mitigada, mas que, no fundo, sempre lá esteve. Talvez fosse embora, mas o coração do teólogo não esperou para ver. Talvez Tillich tenha sido o último teólogo ontológico, quero dizer, o último modelo, aquele da fronteira, que olha em direção ao horizonte, um argonauta ele, e tem dilacerante curiosidade sobre o que está lá, do outro lado, mas que, contudo, ainda tem os pés aqui, no campo das flores celestes, um teólogo que ouviu, sim, Nietzsche, mas não até o fim, e Feuerbach, mas não de todo, e Schopenhauer, mas só em parte, um homem a quem Barth marcou inexoravelmente. Ou quase.

 

Para a Teologia como fenomenologia, de um lado, deve-se abandonar radicalmente o desejo de dizer Deus. Mas isso – anote-se – sem desdizê-lo. A Teologia como fenomenologia é romântica, não platônica, e, além disso, não pode ser aristotélica. Enquanto Arquivo X diz que the truth is out, Feuerbach berra aos ouvidos da gente que, não, ela está cá dentro, e que a teologia é origami. Um teólogo do último modelo “sabe” disso, ou, melhor dito, pressupõe assim, crê desse modo, e age a partir daí. Não é que se torne “ateu”. Absolutamente. O “ateu” crê que Deus não existe, isso porque, de algum modo, ele sabe, de modo que seu oposto é o teísta, ou o deísta, ou o panteísta, que, também de algum modo, sabe o contrário, isto é, que Deus existe, sim, senhor. O romântico é é um cético, ele não sabe, e faz teologia cética.

 

Mas – ai, ai – se esse teólogo cético ainda “crê” – palavra inútil, agora, mais do que inútil e imprestável, perigosa –, se esse teólogo ainda intui o Inefável, se ainda lhe corre nas veias a mística do silêncio, como lidar com isso? Não há resposta fácil, se é que há alguma pronta, hoje. A saída fácil, dele mesmo, teólogo, ou de seus críticos, a saber, o “ateísmo”, já se viu, é impossível. Epistemologicamente, romanticamente, estão mortos, existencialmente, tanto o teísmo quanto o ateísmo. Um teólogo fenomenológico pode – pode – tanto ser ateu quanto teísta, ou deísta, ou panteísta, mas jamais poderá falar de sua teologia, porque, se é mesmo um teólogo fenomenológico, ainda que sua mente esteja povoada de mitos – e toda fé é mito – ele, contudo, não pode tratar disso, teologicamente. A metafísica o engasga, e a metáfora, ele acha, é folguedo de infantes, esses aqui, vão de metáfora, aqueles ali, de amarelinha, de modo que ele não quer nem morrer asfixiado, nem cansar-se em travessuras.

 

A alternativa é investigar esse fenômeno, e, quero crer, apenas uma abordagem complexa pode fazer frente ao desafio. Nenhuma abordagem “científica”, isto é, no modelo “laboratório”, dará conta dele. Mas deverá ser, também, por meio dela. Nenhuma abordagem humanista, isto é, do tipo psicanalista, sociologista, antropologista, filosofista, fragmentárias, todas, poderá dar conta dele. Mas deverá ser uma abordagem também comprometida com as Ciências Humanas. O que se impõe é a aplicação dos avanços epistemológicos relativos à noção contemporânea de Complexidade ao desafio de investigar a intuição do sagrado.

 

Nesse caso, a Teologia fenomenológica, até onde posso ver, deve tornar-se complexa. Deve começar de onde Edgar Morin parou, pôr O Método na bagagem, e começar sua viagem excitante. E chegará a falar da fé interna do teólogo também em termos fenomenológicos, complexos, como noologia viva. No fundo, não apenas descobrirá que tudo não passa de um grande jogo – mas vai até o fundo, para descobrir não apenas que tipo de jogo é esse, mas como ele foi e é jogado. Descobrirá, em algum momento de agonia, uma profunda e inescapável solidão, da qual a própria noção de "sagrado" derivaria, como ressonância. 

 

O futuro é histórico-crítico. O futuro é complexo. Menos que isso é desejar o passado. Amá-lo, sim, claro. Ressuscitá-lo? Em nome de quê? Se somos mesmo, e parece que sim, anões sobre ombros de gigantes, talvez seja justamente por isso que podemos olhar mais longe. Chegar lá é um problema, porque suspeita-se que chega uma hora em que os gigantes temem dar mais um passo, e resta aos anões descer, e caminhar com os pés descalços na terra que Nietzsche anunciou, decantando-a. 

Quem diria que o Übermensch fosse, afinal, um pequeno anão? Ser-lhe-á por demais difícil? Serão seus passos pequenos demais para percorrer seus quilômetros? Mas como, se a própria estrada está dentro dele?! 

 

© Osvaldo Luiz Ribeiro

– autorizado uso pessoal, desde que com citação da fonte e sem alterações no texto –

– página atualizada em 09/09/2007 00:05:38