As vogais em Gênesis 1,1-3

ou: Bíblia(s) e peixe(s)

Osvaldo Luiz Ribeiro*

 

O leitor espera ler as palavras desse artigo “somando” consoantes e vogais que aparecem escritas na folha impressa. Nada mais natural – para nós. O leitor que vai ler Gênesis 1,1-3, na sua Bíblia, sabe que lá encontrará a expressão “no princípio”, e o ene ainda deverá estar escrito com letra maiúscula: “No”. Então o leitor soma: n + o + espaço + p + r + i + n + c + i (com acento agudo) + p + i + o, e “lê” “No princípio”.

 

Se esse leitor decidiu aprofundar seus estudos, e, descobrindo que a Bíblia não foi escrita originalmente em português, mas em hebraico, decide estudar hebraico, então também poderá ler numa versão de estudo de Gênesis, por exemplo, que a expressão que em português se lê “no princípio”, em hebraico se lê tyviareB. (pronuncia-se “berechit”, e se escreve Bürë´šît). Também em tyviareB., o leitor encontrará consoantes e vogais, e ele as somará, e, então, as lerá num conjunto: Bürë´šît. Os sinais b (bet), r (resh), a (alef), f (shin), y(yod) e t (taw) são consoantes, sendo que a (alef), ali, é uma consoante muda, e y (yod), também ali, tenha função vocálica. Já os sinaizinhos (  > ), (   e ) e ( [y] i) são sinais vocálicos – ou sinais massoréticos.

 

Quando Gênesis 1,1-3 foi escrito pela primeira vez, a sua primeira palavra não estava escrita assim: tyviareB. com consoantes e vogais, como é escrita hoje. Naquela época, só se escreviam as consoantes, mas não as vogais. Nem era já esse tipo de letra (que hoje chamamos de “quadrática”), mas era outro tipo de letra, chamado de páleo-hebraico: e, mesmo assim, só as consoantes. Isso significa que, quando se ia ler o texto, enxergava-se apenas as consoantes da palavra – e a sua pronúncia deveria estar “na memória”. Seria como se o leitor tomasse a sua Bíblia, e só pudesse enxergar Gênesis 1,1 assim:

n prncp cr ds s cs trr

 

Difícil, não? Mas a gente se acostuma – desde que tenha “na memória” a pronúncia correta da palavra, porque a pronúncia é sempre uma questão de “sons vocálicos”. Não devia ser difícil para os leitores – e eram poucos – daquela época ler textos exclusivamente consonantais, porque aquela era a língua que falavam ou, pelo menos, uma língua que dominavam.

 

Não devem ter tido maiores dificuldades, pelo menos até que a língua hebraica começou a se tornar uma língua exclusivamente “erudita”. Depois das conquistas persa, grega e romana (séculos VI ao I a.C.), e depois da diáspora de 70 d.C., o hebraico tornou-se literalmente uma raridade, sendo do domínio de um relativamente pouco número de eruditos, religiosos e leitores do Tanak – a Bíblia Hebraica (= nosso “Antigo Testamento [melhor “Primeiro Testamento”]). Por conta desse acontecimento histórico, começou-se a ter sérias dificuldades sobre a pronúncia correta das palavras escritas só com as consoantes. Ora, e como o sentido de uma palavra depende da sua pronúncia, considerou-se perigosíssima essa situação. Dois trabalhos, então, foram levados a termo: primeiro, uma discussão intensa sobre a pronúncia correta das palavras – logo, do seu sentido; segundo, a criação de um sistema de sinais vocálicos, as vogais, para se representar a pronúncia correta dessas palavras, o que, segundo os estudiosos, foi desenvolvido entre o início da Idade Média e o século XII (BARRERA, p. 315s). Por uma questão de espaço físico – era muito caro escrever naquela época – os sinais inventados foram aplicados sobre e sob as consoantes. Assim, tyvarb virou tyviareB.., e qualquer um que aprendesse a ler tanto as consoantes quanto os sinais vocálicos, estava pronto para ler o Tanak. Não se corria mais o risco de se perderem as pronúncias corretas das palavras...

 

Eu disse pronúncias “corretas”? Devagar. Vimos que a primeira discussão que os massoretas fizeram foi sobre a pronúncia correta das palavras, e que, só depois disso é que os sinais, inventados, foram aplicados ao texto consonantal para reproduzir “aquela pronúncia” tomada consensualmente como “correta” ao fim da discussão. Se tivermos essa informação diante de nossos olhos, então estaremos sempre conscientes de que o texto “vocalizado” da Bíblia Hebraica, isto é, o texto consonantal hebraico, no qual os massoretas aplicaram os sinais massoréticos por eles inventados, esse texto é, assim vocalizado, um texto de “consenso”, muito, muito provavelmente correto em sua absoluta maior parte, mas não inequivocamente certo em todas elas. Mais uma dificuldade, dentre as muitas outras, para o estudante da Bíblia Hebraica...

 

Gênesis 1,1-3 é um caso desses. A segunda palavra da Bíblia Hebraica é um verbo: ar'B' (pronuncia-se “bará”, e se escreve Bärä´), que nossas Bíblias, seguindo corretamente a vocalização massorética, traduzem como “criou”: “No princípio criou”. Lembremo-nos, contudo, de que ar'B' era escrito apenas com consoantes (arb), tendo sido as vogais incorporadas depois (séculos e séculos depois), pelos massoretas (os inventores dos sinais massoréticos). Dessa forma, a aplicação das vogais (  " ) e (  " ) em arb é o resultado do consenso dos massoretas em concluir que a pronúncia correta da palavra consonantal era “bará”. Porque chegaram a esse consenso, e ainda assim um consenso em termos, porque, além de ter demorado séculos para se chegar lá, ainda se pode constatar entre os inúmeros manuscritos hebraicos diferentes modos (sistemas) de “vocalização”, e, além disso, a rigor um consenso sobre a memória correta da palavra, é que se aplicaram sobre o verbo hebraico em Gênesis 1,1 aquelas duas vogais, e se leu ar'B'.

 

E podia ser diferente o consenso? Sim, podia. Por exemplo, em Gênesis 5,1b, um versículo que também fala sobre “a criação”, aparece a mesma palavra, o mesmo verbo, as mesmas consoantes: arb. Como está em sua Bíblia? Que vogais os massoretas aplicaram à palavra? Aplicaram (  > ) e (   O ), respectivamente, as vogais “e” e “o”, lendo aroB. (pronuncia-se “berô”, e escreve-se Bürö´), em vez de ar'B'. Como Gênesis 1,1 traz ar'B', temos de traduzir “criou”: “No princípio criou”; e, como Gênesis 5,1b traz aroB., temos de traduzir “criar (de)”: “No dia do criar de”. Sim, porque, como têm vogais diferentes, têm sentidos diferentes, classe gramatical diferente: ar'B' é, para simplificar, pretérito, e aroB. é infinitivo.

 

Os mesmos massoretas vocalizaram Gênesis 1,1 e Gênesis 5,1b. Lá acordaram ler Bärä´; aqui, Bürö´. Estava decidido. Quer dizer, não de forma que ninguém questionasse. E houve questionamentos? Sim, houve, e com razão, porque, afinal, como já disse Julio Trebolle Barrera, “a pontuação (=vocalização) não “deriva do Sinai” e, em conseqüência, não faz parte do texto sagrado” (BARRERA, p. 315). O Rabi Shelomoh ben Yitzhaq (1040-1106), conhecido como Rashi, máximo representante da exegese judaica na Europa Medieval, questionou a vocalização de arb como ar'B' em Gênesis 1,1. Para ele, a vocalização deveria ser como a de Gênesis 5,1b: aroB..

 

Muda alguma coisa? Sim, muda. E muito. Se o correto – isto é, se quando o texto foi escrito pelo escritor sagrado, ele escreveu arb, pensando em  ar'B' –, então temos de traduzir Gênesis 1,1 assim: “N(o) princípio criou Deus (= ´élöhîm) os céus e a terra”. Mas se o escritor sagrado estava pensando em aroB., como acreditava Rashi, então temos de traduzir de forma diferente, já que aroB. é um infinitivo: “No princípio do criar de  ´élöhîm os céus e a terra”, como em Gênesis 5,1b: “No dia do criar de  ´élöhîm (o) ‘homem’”.

 

E agora? Qual é a pronúncia correta? Quer dizer, qual é o sentido correto? Qual é a tradução correta? Como devo ler? O que o escritor sagrado escreveu? O que ele estava pensando? Que palavra ele “pensou” e registrou? Sabemos de forma relativamente segura que consistia numa palavra com as três consoantes da raiz arb, mas não temos garantias de que tenha sido pensada a raiz com as vogais “a – a” ou com as vogais e – o”. A única coisa que podemos fazer é pesquisar, levantar argumentos, e opinar sobre como consideramos a questão. Na minha opinião, por exemplo, e, portanto, a vocalização deve ser como Rashi a considerava correta –  aroB., Bürö´, “criar”, e não ar'B', Bärä´, “criou”.

 

Bem, se faz diferente, que diferença faz? Trata-se de uma diferença na forma como toda a série de Gênesis 1,1-3, logo, toda a narrativa de Gênesis 1,1-2,4a deve ser lida. Se ler “criou”, com as versões, estou considerando que Gênesis 1,1 seja uma oração independente: “N(o) princípio criou ´élöhîm os céus e a terra”, ponto. Daí resultaria que Gênesis 1,2 começa uma nova idéia, igualmente independente: “e a terra era um deserto e uma desolação”. Se eu ler em Gênesis 1,1 aroB., Bürö´, “criar”, e não ar'B', Bärä´, “criou”, então Gênesis 1,1 passa a consistir numa oração subordinada adverbial temporal, cuja oração principal passa a ser Gn 1,2a. Explico: em hebraico, dizer “no princípio do criar de” é a forma natural de dizer “quando (começou a) criar”, ou “quando criou”. Gênesis 1,1 não termina em Gênesis 1,1, continua – aliás, como Gênesis 1,1 é que é a oração subordinada, na verdade Gênesis 1,1 sai “de dentro” de Gênesis 1,2a, que é a oração principal. Explico de novo: a seqüência Gênesis 1,1-2a – oração subordinada adverbial temporal + oração principal – deve ser lida como “No princípio do criar de  ´élöhîm os céus e a terra, então a terra era um deserto e uma desolação”, que, trocando em miúdos, significaria dizer que, “quando começou a criar ´élöhîm os céus e a terra, então a terra era um deserto e uma desolação”, que, por sua vez, é a mesma coisa que dizer assim: “A terra era um deserto e uma desolação, quando  ´élöhîm criou os céus e a terra”. E se o leitor já percebe que, assim, afirma-se que a criação começa quando já havia terra, então o leitor chega ao ponto central da polêmica.

 

Convém admitir que a tradução corrente das Bíblias, que traduz “criou” e não “criar”, não simplifica em nada as coisas. Tanto não simplifica que existem teologias criativas ao ponto de, percebendo que há uma ruptura entre Gênesis 1,1 e Gênesis 1,2, ainda que essa ruptura seja amenizada pela tradução, estabelecer um acontecimento cósmico-celestial entre a vírgula que separa os dois versículos na Bíblia. A questão de fundo é: se Deus acabou de criar, perfeitinhos, os céus e a terra, porque ela ficou “sem forma e vazia” (não considero adequada a tradução “sem forma e vazia”)? A partir dessa pergunta, e por meio de sucessivas alegorias de textos veterotestamentários, e da apropriação de tradições tão antigas quanto as já presentes nos apócrifos dos últimos séculos do judaísmo da era pré-cristã, entrevêem essas teologias toda a “história” da queda dos anjos aí. Assim, por conta de um problema de sintaxe, cria-se uma teologia. Diga-se o que se disser em relação a essa teologia da queda dos anjos entre Gênesis 1,1 e 1,2, ela, contudo, tem a seu favor a justificativa de ter sido criada como tentativa de solução de uma compreensão muito provavelmente errada da sintaxe do texto hebraico, transferido para a sintaxe dos textos cristãos que o acompanharam. Eu quero dizer com isso que, se a teologia não está lá, mas foi colocada lá, a ruptura sintática está, foi colocada lá já pelo escritor sagrado; disfarçada pela tradução do verbo “criar” como “criou”, a ruptura foi abrandada, mas não o suficiente para não permitir que olhos mais atentos a percebam. E Rashi a percebeu. Uma importante edição da Bíblia Hebraica, a Bíblia de Kittel, ainda até há algumas décadas trazia a advertência que remonta, pelo menos, a Rashi. A sua sucessora, a Biblia Hebraica Stuttgartensia, decidiu suprimir a advertência. Voltamos ao consenso...

 

Se o escrito sagrado escreveu arb, pensando em aroB., Bürö´, “criar”, e não ar'B', Bärä´, “criou”, então já vimos que o resultado é admitir que o escritor sagrado entendia, quando escrevia, que “quando criou  ´élöhîm os céus e a terra, então a terra era um deserto e uma desolação”. Isso soa muito estranho aos nossos ouvidos, porque desde 2 Macabeus 7,28 se sabe que a tradição judaica assumiu a criação ex nihilo (= “a partir do nada”): “Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra e observa tudo o que neles existe. Reconhece que não foi de coisas existentes que Deus os fez”, tradição de todo jeito tomada como já bastante assentada em o Novo Testamento [melhor Segundo Testamento]: Jo 1,1-3; Cl 1,15-20. Segue que os teólogos sistemáticos terão alguma dor de cabeça, se decidirem tomar os textos das Escrituras por meio dos instrumentais da metodologia exegética, antes que pela via tradicional dogmática. – aliás, passou da hora de esse trabalho ser feito...

 

À exegese, contudo, cabe não apenas a tarefa de traduzir o texto bíblico, e isso tomando consciência dos problemas que o envolvem, e levando-os a sério, sem tentativas de contornar a montanha, cortar caminho por atalhos. Pelo contrário, a exegese sabe que per aspera ad astra, e que, de qualquer jeito, foi “sobre” a montanha que  ´élöhîm (/Yahweh) “manifestou-se” (Ex 19,16ss). Por outro lado, a exegese que decide tomar o texto bíblico a partir do contexto histórico em que foi produzido, não pode se servir das interpretações posteriores para resolver as dificuldades. Isso significa dizer, honestamente, que nem e 2 Macabeus 7,28, nem Jo 1,1-3, nem Cl 1,15-20 têm a última palavra sobre Gênesis 1,1-3. É à exegese que cabe descer até o fundo do fosso aberto por uma análise histórico-arqueológica do texto bíblico, espanando poeira e pedrinhas, desenterrando o sentido histórico-social desse texto – que, contudo, sempre será uma questão de hipótese, plausível que seja, provável, viável em termos de argumentação, mas jamais inequivocamente determinada.

 

Nesse sentido, quando ler Gn 1,1-3, o leitor deve se decidir, antes de tudo, sobre como o texto foi realmente escrito pelo escritor sagrado: criou ou criar? Decidida a questão, se a opção foi, como é o meu caso, por criar, começa, então, a longa série de reflexão, estudo, pesquisa, a fim de que seja determinada a procedência da opção; ao que se deverá seguir a interpretação do texto resultante daquela opção.

 

Não é uma tarefa fácil. No próximo artigo da Revista da Bíblia apresentarei os argumentos para a decisão de ler “criar” e não “criou” em Gênesis 1,1. Por ora, concluo com uma palavra “pastoral”. Durante 1500 anos, de Cristo a Lutero, o “povo” não lia a Bíblia – não havia Bíblias a serem lidas. Só ouvia sermões. Aprendia a Bíblia através deles, de modo que, sabemos, não aprendia “a Bíblia”, mas a interpretação dos pregadores e, a rigor, a da “Igreja”. Lutero decidiu que o povo devia ler a Bíblia. Fácil decisão, depois da imprensa, claro, mas difícil, depois que ele mesmo montou sua igreja, e deparou-se com a questão da catequese. Dessa situação histórica resultam duas conclusões: primeira conclusão, durante 1500 anos o povo não precisava (não tinha como) ler a Bíblia para ser um bom povo cristão, um bom povo de Deus, e se vamos pensar que, se não havia “protestantes”, “evangélicos”, “batistas”, antes de Lutero, logo, não havia algo como “o bom povo de Deus”, então estamos bem perto da santa pretensão evangélico-reformada, e se, por outro lado, vamos considerar que, se havia, lá e então, algo como “o bom povo de Deus”, logo, lá estávamos “nós” – e invariavelmente, “só nós” – então já passamos dela; ser um bom povo de Deus era, então, “viver” como um bom povo de Deus, mais do que “pensar” como tal; segunda conclusão – já que decidimos dar a Bíblia ao povo (com o que eu concordo, e agradeço a Deus a dádiva de poder eu mesmo a ler [aleluia!]), que o façamos, contudo, com seriedade. Vale para a Bíblia o mesmo que para o peixe: em vez de dar peixe ao faminto, se diz, ensine-se o faminto a pescar ele mesmo seus próprios peixes, e ele nunca mais terá fome. Em vez de ensinarmos a Bíblia ao povo, ensinemos o povo a ler a Bíblia, e ele igualmente nunca mais terá fome. Quer dizer, terá, e muito, e tomara! Mas será só abrir o embornal, acender a fogueira, cozer o bocado e o comer... hum! gostoso!

 

Se com as duas primeiras palavras da Bíblia já temos tanta coisa a fazer, imagine a hora em que esse povo de Deus quiser e souber fazer com todas as milhares de outras a mesma coisa? Estaremos tão ocupados fazendo isso, mas tão ocupados, que correremos o risco, sim, de não fazer mais nada – mas pelo menos também não as nossas mínimas e máximas maldades cotidianas.

 

Vale a pena o risco...

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

BARRERA, J. T. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã – introdução à história da Bíblia. Trad. de Ramiro Mincato. Petrópolis: Vozes, 1996. 741 p.

 

RIBEIRO, Osvaldo Luiz. Vento Tempestuoso – um ensaio sobre a tradução e a interpretação de Gn 1,2 à luz de Jr 4. Fragmentos de Cultura, Goiânia, n. 4, p. 573-598, 2002.

 

RIBEIRO, Osvaldo Luiz. Vento Tempestuoso. Novas reflexões sobre Gn 1,2 a partir da fenomenologia da religião. Revista Teológica Londrinense, Londrina, n. 5, p. 103-169, 2003.

 

RIBEIRO, Osvaldo Luiz. “A Terra” e “as Águas” Originais. História e linguagem mítica em Gn 1,1-3. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 80, p. 40-48, 2003.



* Bacharel, Mestre e Doutorando em Teologia pelo STBSB, e Doutorando pela PUC-Rio. Coordenador do Curso de Teologia do STBSB. Professor de Exegese do Antigo Testamento. Pai de Israel e Jordão. Marido da Bel.