Da coragem

Osvaldo Luiz Ribeiro

07/06/2008

 

É preciso alguma coragem para aproximar-se dos deuses. O primeiro homem que o fez, quanto terror não deve ter sentido! Milênios o separam de mim...

 

É preciso muito mais coragem para assumir que não há deus algum. O primeiro homem que o fez, quanto terror não deve ter sentido! Alguns séculos o separam de mim...

 

É preciso uma incomensurável maior dose de coragem para assumir que não há como saber, se há, se não há, e ainda assim, lançar-se! O primeiro homem que o fez, quanto terror não deve ter sentido! Ele está aqui, dentro de mim...

 

O primeiro terror resolveu-se com a circunscrição do círculo mágico, o adestramento do sagrado, a domesticação do poder. Os humanos aprenderam a viver do sagrado. Isso faz um tempo enorme.

 

O segundo terror resolveu-se com a destruição do círculo mágico. Você fecha os olhos, assopra com muita, muita força, e o campo sagrado é varrido da face da terra. O vento de poucos séculos se faz, ainda, sentir.

 

O terceiro terror dissolve-se com a consciência de que o círculo mágico, construí-lo, destruí-lo, é a mesma coisa, e que o terror está, mesmo, dentro do nosso corpo, acordado, sob o céu, sobre a terra, só, inominavelmente só. Só é meu nome. Ainda não aconteci inteiramente.