CANTINHO DA ANÁLISE DO DISCURSO

- AD -

 

Esse cantinho está nascendo agora, 17 de março de 2006. São quatro e dez da tarde. Informo isso para que eu mesmo lembre, amanhã, de que, quando comecei a "estudar" AD, já fazia exegese há algum tempo - um bom tempo, eu diria. Há dois anos mais ou menos, conheci Celeste, Maria Celeste. Hoje ela é doutoranda de Letras, na UERJ. Acho - não tenho mais certeza - ter sido ela a me alertar para o fato de que a exegese que eu fazia tinha alguma coisa a ver com "ciências da linguagem", e, mais precisamente, com "análise do discurso". Através dela, obtive algum material, que, agora, me olha as costas, dali de onde ele está, na estante, do jeito que o deixei...

 

Confesso que comecei a ler alguma coisa há algum tempo, mas a "lingüística", pelo menos a que me chegou às mãos, tinha um ranço de estruturalismo que me irrita (profundamente!). Estava enfiado até o pescoço com a leitura de "pensamento complexo" (Edgar Morin e Prigogine, mais acentuadamente), e quem os conhece sabe o quanto eles são refratários, como eu, a determinismos unilaterais, à supressão do indivíduo, à diluição da história. Assim, continuei meus exercícios intuitivos de exegese do Antigo Testamento: intuitivos em termos de teoria, mas rigorosamente técnicos no que concerne à metodologia histórico-crítica.

 

Mas o que eu fazia era bastante "pessoal". É mais do que exegese apenas. É exegese, sim: eu me defino como um exegeta, e gosto de me definir assim. Mas faço uma exegese "complexa", onde o texto aparece na forma de instrumento de intervenção social, e onde o "escritor" desse texto assume proporções de complexa dependência de seu contexto, auditório e intenção.

 

Escrevi há dois dias Sangue e Vômito. Usei naquele artigo uma expressão técnica: "reinscrição transgressiva". Não é minha: li-a em algum lugar, e não lembro qual. Mandei um e-mail para Celeste, para ver se ela conseguia a "fonte". Nem ela nem seus professores do doutorado reconhecem o termo, embora estes o tenham endossado, quando ela lhes falou do que se tratava. Mandou-me três nomes num e-mail, dizendo que, a considerar as informações obtidas junto aos seus professores, constituíam uma espécie de "papado" contemporâneo da AD "do tipo que eu praticava". Os nomes são: Charaudeau, Laurent Jenny e Dominique Maingueneau. Um pouco de google e bingo!

 

Como esses "papas" representam a(s) teoria(s) por trás de minha intuição "profissional", resolvi abrir este cantinho. De vez em quando vou sentar aqui, e ler alguma coisa sobre esses senhores... até que, finalmente, eu me veja tomado da vontade, da ousadia e da coragem de escrever sobre AD com nome de AD...

 

Se quiser...

 

Patrick Charaudeau

Considerações sobre o modelo de análise do discursos de Patrick Charaudeau

   
Dominique Maingueneau Entrevista à Revista Virtual de Estudos da Linguagem (ReVEL)